Seu feed está sem conteúdo ou sem verdade?
Copiar a estrutura de um post que funciona para outra profissional não garante o mesmo resultado. Entenda por que a diferença está na intenção, não na fórmula.
Paula Araújo
8/12/20264 min read
A pergunta que abre este texto apareceu numa aula sobre conteúdo autêntico que fiz recentemente e caiu como uma luva numa conversa que tive há poucos dias com uma lead. As duas coisas se encontraram na minha cabeça de um jeito que eu preciso registrar aqui, porque acho que muita profissional que me lê vive exatamente essa mesma confusão sem saber dar nome ao que está sentindo.
A mensagem que a advogada me mandou
Recebi uma mensagem de uma advogada contando que ela vinha usando o mesmo tipo de post que via performando bem no perfil de outras colegas do direito. Mesma estrutura, mesma abertura e até o mesmo jeito de fechar. Só que o engajamento não vinha do jeito que ela esperava e ela chegou a me dizer que se sentia sabotada pelo Instagram.
Eu entendo a lógica dela. Se um formato funcionou para alguém, parece razoável esperar que funcione de novo para quem copia. Essa lógica cobre metade da equação, já que a outra metade fica de fora quando a estrutura é replicada sem entender o que a sustenta.
Por que copiar a estrutura de outro perfil não garante resultado
Uma estrutura copiada carrega apenas a forma de um post pronto, mas o motivo de ele existir continua em branco. Duas pessoas podem abrir um texto com exatamente a mesma frase e ter resultados completamente diferentes. Para quem lê o perfil de uma, aquilo soa familiar, porque reconhece ali a continuação de algo que já vinha acompanhando. Para quem lê o perfil da outra, a mesma frase soa como um enfeite qualquer, encaixado sem função, porque não existe repertório nenhum como base de uma relação.
Foi isso que expliquei para a advogada. A colega que ela via performando bem sabia exatamente para quem estava escrevendo naquele momento e por que aquele assunto importava para um público específico. Ela estava usando a mesma estrutura sem esse direcionamento, testando no improviso e, por isso, o post, apesar de parecido, não cumpria nenhuma função real e não alcançava os mesmo resultados.
Eu vejo muita gente no meu mercado vendendo justamente o oposto disso como fórmula. Copia esse gancho, copia essa sequência de carrossel, copia esse roteiro que trouxe resultado para outra pessoa. E cada vez que alguém simplesmente replica um conteúdo, sem entender o motivo de publicá-lo, o feed fica cheio de posts parecidos entre si e vazio da própria voz de quem posta.
A publicação continua tendo cara de publicação. Ela não perde a estrutura, não perde o design, às vezes nem perde o texto quase inteiro. O que ela perde é a razão de ter sido escrita e isso não aparece na tela para quem olha rápido, mas aparece nos números semana após semana.
O que sustenta um post que funciona de verdade
Existe uma lógica que decide o que postar, quando postar e por qual motivo e, a partir do momento em que ela é ignorada, fica fácil entrar num ciclo de comparação. Ou seja, você vê algo funcionando em outro perfil, copia, não funciona do mesmo jeito e sobra a sensação de que o problema é o algoritmo ou a sua sorte.
Para falar da maneira certa com as pessoas certas, é preciso passar por um planejamento que considera pontos bem mais densos do que o engajamento sozinho é capaz de mostrar, como quem é a pessoa que vai consumir aquele conteúdo, em que momento da relação com você ela está, o que ela já sabe sobre o assunto que você trata e o que ela ainda precisa entender antes de confiar em você. Nenhuma estrutura copiada carrega essas respostas junto, porque elas não vêm do formato do post, vêm do que a profissional entende sobre o próprio negócio e sobre a percepção que ela deseja ter no mercado.
Inspirar-se no que performou bem para o outro continua sendo válido. O que muda é o processo depois da inspiração, isto é, entender por que aquilo funcionou, verificar se o mesmo motivo existe no seu contexto e só então adaptar a estrutura para a sua própria voz. O formato pode até ser parecido por fora, mas a decisão por trás dele vem de dentro do seu próprio negócio.
É esse o trabalho que faço com cada cliente antes de decidir uma única linha do que ela vai postar, tirar a criação de conteúdo do improviso e dar um objetivo tangível para cada peça, para que ela pare de ser refém da primeira fórmula que aparece e comece a publicar coisas que carregam intenção própria, mesmo quando a embalagem é parecida com a de outra pessoa.
Quando tudo é engajamento, nada é conexão
Essa frase também foi dita na aula que participei e acho que resume bem o que aconteceu com a personagem deste texto. Ela postava, seguia um padrão e tentava se manter presente. Mesmo assim, faltava a parte que nenhuma estrutura copiada consegue entregar sozinha, a verdade de quem está escrevendo, o motivo real por trás de cada post e o entendimento sobre quem está do outro lado consumindo aquilo.
Talvez a pergunta certa que você deve fazer não é quantos posts faltam no seu feed essa semana, mas quantos deles carregam alguma verdade sua.
