Você cria conteúdo com estratégia ou por achismo?
É muito fácil cair no abismo que separa o achismo da estratégia. Por isso, criei um termo para quem acha que está sendo estratégica, mas continua postando no impulso: estratachista.
Paula Araújo
7/3/20264 min read
Vou te propor um teste rápido. Das opções a seguir, quais você se identifica:
Salva referências que nunca usa.
Compra cursos de marketing para destravar a conta.
Muda a bio mais do que a foto do perfil.
Tem boas ideias, mas vive mudando a direção.
Enjoa do posicionamento a cada três meses.
Some por não saber o que postar.
Se você marcou ao menos duas ou gabaritou a sequência, parabéns: você pode ser uma estratachista.
Estratachista é um termo que criei para categorizar empreendedoras que acham que estão sendo estratégicas, quando, na verdade, estão criando conteúdo por puro achismo.
O perfil da estratachista
A estratachista é aquela mulher que vive salvando referências, fazendo cursos de marketing e pesquisando tendências.
Ela não é desorganizada, muito pelo contrário. Tem muitas ideias para o seu conteúdo, só não sabe o que fazer com elas.
Com o tempo, ela enjoa do posicionamento, quer mudar a bio e tudo mais que puder. Acha que está fazendo essas alterações de forma estratégica, mas é puro impulso, mesmo que tenha total domínio e conhecimento sobre o próprio trabalho.
O custo de criar conteúdo por achismo
Quando você faz movimentos sem uma direção que guie até onde quer chegar, você anda em círculos. Se cansa, se frustra, perde tempo e energia e, no fim das contas, não sai do lugar.
Você acha que precisa de uma bio mais interessante, acha que o seu posicionamento não está coerente ou está repetitivo, acha que o tom de fala que adotou está simples demais e, então, muda tudo. Mas não percebe que cada uma dessas mudanças joga fora toda uma associação que estava começando a ser construída entre você e o seu público.
Começar do zero nem sempre é a melhor opção. Recomeçar exige passar por etapas que você já tinha cumprido (muitas delas com louvor). E, nesse looping infinito, você se sente atrasada em relação a outras especialistas do seu nicho.
Estar atualizada não significa estar em constante mudança. Na prática, o problema é que você deixa de fixar pontos fundamentais na mente de quem te acompanha, como lembrança, reconhecimento e familiaridade.
Quando o achismo se disfarça de estratégia
É muito fácil cair no abismo que separa o achismo da estratégia. São tantas dicas, fórmulas e promessas vendidas por aí que a mulher que cria conteúdo para divulgar seu trabalho nas redes acaba se iludindo na esperança de ter resultados rápidos.
Elas se veem hipnotizadas por títulos do tipo: “5 formatos de conteúdo que vão desbloquear seu perfil”, “Ideias de posts e stories para atrair clientes essa semana” e “Faça isso e ganhe mil seguidores em 10 dias”.
O achismo adora ganchos tentadores, mas não fala que, para dar certo, existe um processo muito maior, que engloba estudo do comportamento da audiência, perfil de cliente ideal, linguagem, termos específicos, assuntos relacionados com público e, o mais importante, a tradução da identidade do negócio.
Encantada com promessas rápidas, tudo o que a estratachista chama de teste não passa de falta de decisão.
Estratégia é mais do que um calendário
Estratégia que funciona não é aquela que te entrega um calendário para cumprir datas. Ela analisa todo o seu cenário atual, faz um diagnóstico completo do seu perfil, identifica o que já funciona e o que pode ser ajustado, além de escolher o que entra e o que não entra na sua comunicação.
Acima de tudo, estratégia não promete resultado da noite para o dia. Ela é aplicada de forma coerente com o tempo. Te guia e te explica o porquê de cada formato, de cada post e da hora certa de falar sobre cada assunto. Sem tropeços, construindo autenticidade e identificação genuínas tanto para quem já te segue quanto para quem acabou de chegar ao seu perfil.
O que precisa acontecer antes do “o que postar”
O olhar estratégico prioriza uma coisa que o achismo ignora completamente: os dados. Antes do post, temos:
Escuta: entender a história daquela empreendedora, compreender sua trajetória e o contexto em que ela atua.
Análise: olhar para números. Não só seguidores e curtidas, mas tempo de retenção, salvamentos, compartilhamentos e a qualidade dos comentários, para identificar qual percepção essa mulher está criando com o público.
Investigação: identificar padrões, repetições, incoerências e potenciais.
Direcionamento: decidir qual lugar vale a pena ser ocupado e por quê.
Somente depois disso é possível saber o que o conteúdo precisa comunicar para falar com as pessoas certas e gerar resultados tangíveis. É assim que nasce um calendário inteligente, que conversa com a dor que aquela especialista resolve.
Quando a estratachista vira estrategista
Primeiramente, é preciso mudar a mentalidade de que conteúdo suga tempo e energia. Conteúdo estratégico acontece de forma fluida e não é produzido no improviso, mas a partir de um direcionamento.
Enquanto a estratachista se preocupa com trends, áudios virais e visualizações, a estrategista olha para as mensagens que chegaram no direct, para o número de avaliações e consultas marcadas na semana e para a relação que estabeleceu com uma cliente.
A estratachista cria conteúdo do zero sempre. A estrategista cria conteúdo que conta uma história e gera afinidade.
A estratachista não entende o motivo de existir um padrão de repetição e associação. Quer falar de tudo ao mesmo tempo, mudando de assunto a cada post. Já a estrategista sabe dizer não para ideias que não cabem no seu posicionamento e consegue repetir temas sem parecer chata.
O calendário da estratachista parece uma prisão e não tem critério. Já o conteúdo da estrategista é seguro e a faz ser reconhecida por algo específico.
O que você chama de estratégia hoje é, de fato, análise e decisão ou é só um improviso bem organizado?
